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Rose Aceitou o Trabalho do Cowboy, Mas Não Imaginava o Que Viria Depois-neyney

Quando a carroça deixou o pátio do leilão para trás, Rose ainda sentia o olhar daquele trabalhador preso às suas costas, mesmo depois que a poeira da estrada começou a esconder Barlow Creek.

Ao lado dela, Elias Wainwright conduzia os cavalos sem pressa, enquanto Clover seguia amarrada atrás, e Rose tentava entender por que as palavras dele continuavam parecendo maiores do que a explicação que recebera.

Ela vai para casa comigo.

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Elias dissera que falava da égua.

Rose queria acreditar nisso.

Durante os primeiros quilômetros, nenhum dos dois falou muito.

Rose mantinha a bolsa de couro sobre o colo, com os cinquenta dólares guardados dentro, junto das poucas coisas que ainda podia chamar de suas.

O céu escurecia sobre as montanhas, e o caminho estreito parecia levar não apenas a outro rancho, mas a uma vida para a qual ela não tivera tempo de se preparar.

Elias quebrou o silêncio apenas quando percebeu que Rose olhava repetidamente para trás.

— Clover está acompanhando bem.

— Eu sei.

Ele lançou um olhar breve para ela.

— Então não é com a égua que a senhora está preocupada.

Rose hesitou.

— Aquele homem no leilão trabalha para o senhor?

Elias não precisou perguntar de quem ela falava.

— Trabalhou alguns dias no Meadowlark na primavera. Não trabalha mais.

Rose virou o rosto para ele.

— Por quê?

As mãos de Elias continuaram firmes nas rédeas.

— Porque não sabe aceitar limites.

A resposta não trouxe tranquilidade.

Trouxe outra pergunta.

— E por que ele estava me olhando daquela maneira?

Elias demorou alguns segundos.

— Porque ouviu mais do que deveria sobre a situação das terras do seu pai.

Rose ficou imóvel.

A carta dobrada que Elias lhe mostrara no leilão pareceu subitamente mais pesada dentro da bolsa.

— O senhor disse que estava interessado em comprar uma parte de Hartley Pines para pastagem.

— Estava.

— Ainda está?

— Talvez.

A palavra irritou Rose.

— Talvez não é uma resposta muito útil.

Pela primeira vez desde que saíram da cidade, a expressão de Elias quase mudou.

— Não, não é.

Rose esperou.

Ele continuou:

— Mas também não vou discutir a propriedade do seu pai na estrada, à noite, quando a senhora está cansada e ainda não conhece minha irmã.

Rose apertou a mandíbula.

— Então espera que eu confie no senhor sem fazer perguntas?

— Não.

A resposta veio imediatamente.

— Espero que continue fazendo perguntas até ter motivos suficientes para decidir por conta própria.

Aquilo a desarmou mais do que uma tentativa de convencê-la teria feito.

Quando as construções do Meadowlark apareceram ao longe, Rose já não conseguia distinguir se sentia alívio ou medo.

O rancho era maior que Hartley Pines, mas não tinha nada de extravagante.

Havia estábulos compridos, cercas reparadas muitas vezes, uma casa principal de madeira e outras construções espalhadas ao redor de um pátio largo, marcado por rodas, cascos e anos de trabalho.

Uma mulher de cabelos presos apareceu na varanda antes mesmo de a carroça parar.

— Você demorou.

— Houve um leilão.

— Eu sei que houve um leilão, Elias. Também sei ler calendário.

Então ela percebeu Rose.

Se ficou surpresa, não demonstrou de forma ofensiva.

Desceu os degraus, limpou as mãos no avental e se aproximou.

— Você deve ser Rose Hartley.

Rose piscou.

— O senhor falou de mim?

Mabel olhou para o irmão.

— Ele mencionou seu nome ontem.

Rose voltou-se imediatamente para Elias.

Ontem.

Antes do leilão.

Antes de ele fingir ser apenas um desconhecido que encontrara uma jovem sentada num banco cheio de farpas.

— O senhor sabia que eu estaria lá.

Elias desceu da carroça.

— Sabia que Clover seria vendida.

— E sabia que eu estaria junto dela.

— Imaginei.

— Então não foi acaso.

Mabel olhou de Rose para o irmão e pareceu entender que aquela conversa não precisava de plateia.

Ela pegou a pequena bolsa de Rose.

— Vou deixar isto no quarto de hóspedes. Você pode decidir depois se quer ficar nele ou no alojamento das mulheres.

Rose agradeceu, mas não tirou os olhos de Elias.

— Por que não me contou isso no leilão?

Ele soltou Clover antes de responder.

— Porque a senhora já tinha motivos suficientes para desconfiar de um homem que acabara de conhecer.

— E esconder uma informação ajudaria?

— Não.

— Então por quê?

Elias passou a corda-guia para um rapaz do estábulo e esperou que ele se afastasse com Clover.

Só então respondeu:

— Porque eu queria lhe oferecer trabalho, senhorita Hartley. Não queria que pensasse que estava tentando comprar sua gratidão junto com a égua.

Rose sentiu a raiva encontrar um obstáculo dentro dela.

A explicação fazia sentido.

Não significava que gostasse dela.

Na manhã seguinte, Rose acordou antes do sol e começou a trabalhar antes que alguém precisasse pedir.

Mabel logo descobriu que a jovem que chegara com um único vestido decente e uma bolsa pequena sabia alimentar animais, consertar arreios simples, controlar cavalos nervosos e distinguir febre de exaustão apenas observando como um animal respirava.

No fim do segundo dia, Mabel colocou uma cesta de roupas diante dela e recebeu uma resposta inesperada.

— Posso fazer isso depois. A potranca do cercado norte está apoiando menos peso na pata traseira esquerda.

Mabel levantou uma sobrancelha.

— Você viu isso da cozinha?

— Da janela.

A irmã de Elias deixou a cesta no chão.

— Vá ver a potranca.

Elias estava no estábulo quando Rose apareceu.

Ele não perguntou por que ela estava ali.

Apenas abriu espaço.

Rose examinou o animal e encontrou uma pequena pedra presa no casco, escondida num ponto que poderia ter causado uma lesão séria se permanecesse ali.

Elias observou enquanto ela trabalhava.

— Seu pai ensinou bem.

Rose permaneceu ajoelhada.

— Ele dizia que cavalo nenhum consegue mentir sobre dor. Só é preciso aprender onde olhar.

Quando ergueu a cabeça, Elias estava olhando para ela com uma expressão difícil de interpretar.

— Seu pai dizia muitas coisas certas.

Rose ficou de pé devagar.

— O senhor conhecia meu pai melhor do que deixou parecer.

Dessa vez Elias não tentou escapar da pergunta.

— Fiz negócios com ele algumas vezes.

— Quantas?

— O suficiente para respeitá-lo.

— Isso não responde.

— Sete ou oito negociações ao longo de quatro anos.

Rose sentiu o peito apertar.

Seu pai jamais falara muito sobre Elias Wainwright.

Ou talvez tivesse falado, e ela simplesmente não prestara atenção ao nome.

— Foi por isso que comprou Clover?

— Em parte.

— E o resto?

Elias olhou para a égua no cercado vizinho.

— Porque cinquenta dólares ainda foi pouco.

Rose quase sorriu.

— O senhor sempre responde somente metade do que perguntam?

— Quando a outra metade ainda não está pronta para ser dita.

Ela não gostou da frase.

Mas se lembrou dela.

Os dias seguintes trouxeram uma rotina que Rose não imaginava desejar tanto.

Comia à mesa de Mabel, trabalhava até os braços doerem e, ao anoitecer, visitava Clover.

Ninguém lhe pediu que entregasse os cinquenta dólares.

Ninguém lhe perguntou quando partiria.

Ninguém tentou transformar abrigo em dívida.

Isso deveria ter facilitado sua decisão.

Em vez disso, tornava tudo mais difícil.

No sexto dia, faltando menos de vinte e quatro horas para terminar a semana prometida por Elias, Rose encontrou um cavalo selado diante do estábulo e uma pequena trouxa presa atrás da sela.

Elias estava apertando a barrigueira.

— O que é isso?

— O que prometi.

Ele indicou o animal.

— Amanhã posso levá-la até onde conseguir transporte para Sacramento. Se preferir sair hoje, também posso providenciar.

Rose olhou para ele, surpresa por sentir uma pontada de decepção.

— Então quer que eu vá embora?

Elias levantou a cabeça.

— Não.

Uma palavra.

Sem hesitação.

Rose ficou em silêncio.

Elias continuou:

— Mas querer que fique e impedir que escolha são coisas diferentes.

Era exatamente a diferença que Rose temera não encontrar quando aceitara subir naquela carroça.

Ela se aproximou da sela.

— E Clover?

— Continua sendo minha por causa da compra no leilão.

Rose sentiu o estômago afundar.

Então Elias completou:

— Mas, se decidir partir, posso vendê-la de volta pelos mesmos cinquenta dólares.

Rose virou-se tão rápido que quase bateu no cavalo.

— O senhor disse que me levaria com minha égua e meus salários.

— Eu disse.

— Então já planejava fazer isso.

— Sim.

— E por que comprá-la em primeiro lugar?

Elias puxou do bolso outro papel dobrado.

Não era a carta do banco.

Era o recibo do leilão.

Ele estendeu o documento para Rose.

— Porque, naquele pátio, se eu tivesse apenas aumentado o lance e deixado outra pessoa vencer, a senhora teria recebido um pouco mais de dinheiro e perdido Clover do mesmo jeito.

Rose pegou o papel.

O nome dele estava escrito como comprador.

O dela não aparecia.

Por alguns segundos, aquilo doeu.

Depois percebeu o que Elias estava oferecendo agora.

Não uma lembrança.

Uma escolha.

Rose devolveu o recibo.

— Quero ficar mais algum tempo.

Ele não sorriu.

Mas os ombros pareceram perder uma tensão que Rose não notara até então.

— Mabel vai gostar.

— Estou falando do trabalho.

— Naturalmente.

Rose estreitou os olhos.

— O senhor é irritante.

— Mabel diz isso desde 1849.

Foi a primeira vez que Rose riu desde a morte do pai.

O som a surpreendeu tanto que ela parou no meio.

Elias não comentou.

Isso fez com que ela gostasse dele um pouco mais.

As semanas seguintes mudaram o lugar que Rose ocupava no Meadowlark.

Ela deixara de ser simplesmente a mulher que Mabel recebera por caridade e se tornara útil demais nos estábulos para ser confinada às tarefas da casa.

Quando um garanhão recusava alimento, chamavam Rose.

Quando uma égua prenhe ficava inquieta, Elias queria sua opinião.

Quando um funcionário tentou dizer que mulheres não deveriam se aproximar de certos animais, Elias perguntou apenas quantos cavalos aquele homem havia criado sozinho.

A resposta encerrou a discussão.

Rose também começou a perceber algo incômodo.

Elias nunca tentava impressioná-la.

Não aparecia com presentes.

Não inventava desculpas para tocá-la.

Não usava o fato de ter lhe dado trabalho como argumento para conseguir proximidade.

Quanto menos ele exigia, mais Rose reparava nele.

Isso a irritava profundamente.

Numa tarde quente, Mabel encontrou Rose observando Elias consertar uma cerca.

— Você sabe que pode simplesmente falar com ele.

Rose quase derrubou o balde que carregava.

— Eu estava olhando a cerca.

— Claro.

— Estava torta.

— Naturalmente.

Rose percebeu de onde Elias herdara aquele tom.

Mas a tranquilidade não durou.

Dois dias depois, o antigo trabalhador que Rose vira no leilão apareceu na entrada do rancho.

Seu nome era Cole Mercer.

Elias foi encontrá-lo antes que chegasse à casa.

Rose observou de longe, sem conseguir ouvir toda a conversa.

Cole gesticulou em direção aos campos.

Elias respondeu alguma coisa curta.

Cole então olhou diretamente para Rose.

O mesmo olhar do leilão.

Dessa vez Rose não desviou.

Naquela noite, perguntou a Elias por que ele viera.

— Procurava trabalho.

— E o senhor recusou.

— Sim.

— Isso é tudo?

Elias colocou a caneca sobre a mesa.

— Ele também perguntou se já fechei negócio com o banco sobre Hartley Pines.

O nome do antigo rancho fez Rose endireitar as costas.

— Por que isso interessa a ele?

— Porque Mercer sabe que há homens interessados naquela terra.

— Homens incluindo o senhor.

— Sim.

Rose ficou olhando para ele.

— Ainda pretende comprá-la.

— Uma parte, talvez.

A velha irritação voltou.

— De novo esse talvez.

Elias respirou fundo.

— Porque existe uma diferença entre comprar uma terra abandonada pelo banco e comprar a propriedade de um homem morto enquanto a filha dele trabalha sob meu teto.

Rose sentiu o sentido das palavras se organizar lentamente.

— O senhor não fez oferta.

— Não.

— Por minha causa.

— Em parte.

— Elias.

Era a primeira vez que ela usava o primeiro nome dele sem perceber.

Ele percebeu.

Mas respondeu apenas:

— Não quero que um negócio legítimo pareça outra coisa para você.

Rose ficou alguns segundos em silêncio.

— Então me mostre tudo antes de decidir qualquer coisa.

Elias a encarou.

— Tudo?

— Preço, área, condições. Tudo.

— Por quê?

Rose olhou para as próprias mãos.

— Porque Hartley Pines não é mais meu. Fingir que ainda posso protegê-lo não vai mudar isso.

Sua voz falhou, mas ela continuou.

— Só não quero descobrir depois que todos estavam decidindo o que fazer com a vida do meu pai enquanto eu era tratada como alguém frágil demais para ouvir.

Elias assentiu.

— Certo.

No dia seguinte, colocou os papéis diante dela.

Sem segredo.

Sem pressão.

A proposta que considerava abrangia apenas uma faixa de pastagem e uma nascente secundária.

A casa onde Rose crescera e o estábulo principal ficavam fora da área.

— O banco pretende vender o restante separadamente? — perguntou ela.

— Pelo que me informaram, sim.

Rose passou os dedos pela borda do papel.

— Se comprar essa parte, quero trabalhar com os cavalos que forem mantidos lá.

Elias inclinou a cabeça.

— Isso é uma condição?

— É.

— Então teremos de discutir seu salário.

Rose quase sorriu.

— Agora está falando como empregador.

— Tento melhorar.

Foi o mais perto que chegaram de admitir o que estava crescendo entre os dois.

Até o fogo.

Começou semanas depois, durante uma sequência de tardes secas em que o vento atravessava os campos como se procurasse alguma coisa para levar consigo.

Rose sentiu primeiro o cheiro.

Madeira queimada.

Depois ouviu um grito vindo do lado norte.

Quando saiu do estábulo, viu uma faixa de fumaça escura levantando-se além da colina.

Em poucos minutos, o Meadowlark inteiro estava em movimento.

Homens puxavam animais dos cercados mais próximos.

Mabel carregava baldes e organizava tudo o que podia ser removido da casa.

Elias apareceu montado, deu instruções curtas e apontou para o curral onde Clover e outros cavalos já estavam inquietos.

— Rose, leve os animais para o campo baixo.

— E você?

— Vou até a linha norte.

— Sozinho?

— Não.

Ele já estava virando o cavalo quando Rose agarrou a rédea.

Elias olhou para a mão dela.

— Rose.

— Não faça isso como se eu não tivesse o direito de perguntar se você vai voltar.

O rosto dele mudou.

Não havia tempo para delicadeza.

O vento trouxe uma rajada de fumaça mais forte.

— Vou voltar.

— Isso não é uma promessa que você controla.

— Não.

A resposta atingiu Rose com força porque era exatamente o tipo de verdade que Elias sempre lhe dava quando uma mentira seria mais confortável.

Ele colocou a mão sobre a dela por apenas um instante.

— Mas vou fazer tudo que puder para cumprir.

Então partiu.

Rose conduziu os cavalos para longe das construções, mas Clover resistiu quando uma nova rajada trouxe faíscas pelo ar.

A égua empinou parcialmente, puxando a corda.

Rose falou com ela do mesmo modo que seu pai fazia.

Baixo.

Firme.

Sem força desnecessária.

Clover finalmente a seguiu.

Naquele momento Rose entendeu algo que vinha evitando desde o leilão.

Clover era a última parte viva do pai que respirava.

Mas não era a última parte dele que existia.

Tudo o que Rose sabia fazer com aquele animal também vinha dele.

O modo de observar.

O modo de esperar.

O modo de não confundir medo com desobediência.

Perder Hartley Pines não havia apagado isso.

Quando os cavalos estavam seguros no campo baixo, Rose voltou.

Mabel tentou impedi-la.

— Elias mandou você ficar com os animais.

— Elias não é dono das minhas pernas.

Mabel olhou para ela por meio segundo.

— Finalmente alguém disse isso para ele.

As duas trabalharam juntas na retirada do que ainda podia ser salvo.

O fogo não atingiu a casa principal, mas avançou por parte da pastagem norte e ameaçou um dos estábulos menores antes de homens do rancho conseguirem abrir uma faixa de terra limpa.

Horas depois, Elias voltou coberto de fuligem, com a camisa grudada ao corpo pelo suor e uma queimadura superficial na manga onde uma brasa abrira um pequeno buraco no tecido.

Rose atravessou o pátio antes mesmo de perceber que estava correndo.

Parou diante dele.

Queria abraçá-lo.

Não o fez.

Queria gritar por ele ter ido tão longe.

Também não fez.

Em vez disso perguntou:

— Está ferido?

— Não.

Rose tocou a manga queimada.

— Isso parece uma resposta incompleta.

Elias olhou para ela.

Mesmo exausto, reconheceu a própria frase sendo devolvida.

— Não estou ferido de verdade.

Rose soltou o ar.

— Certo.

Elias ficou parado diante dela enquanto homens e cavalos continuavam se movendo ao redor.

Então disse:

— No leilão, quando falei que ela iria para casa comigo…

Rose sentiu o coração acelerar.

— Você estava falando de Clover.

— Estava.

Ele fez uma pausa.

— Naquele momento.

Rose ergueu os olhos.

Elias parecia desconfortável de um modo que nem fogo, dívida ou cavalo bravo conseguia provocar.

— Depois eu comecei a desejar que a frase pudesse significar outra coisa.

Rose não respondeu imediatamente.

Elias continuou, porque depois de semanas respondendo apenas metade, parecia ter decidido terminar uma frase inteira.

— Não quero alguém que fique porque não tem para onde ir. Não quero alguém que fique porque me deve alguma coisa. E nunca quero que você pense que comprar Clover, oferecer trabalho ou recusar um negócio com o banco me deu algum direito sobre você.

Rose sentiu os olhos arderem.

— Então o que você quer?

— Que, se um dia ficar, seja porque escolheu.

Não havia declaração grandiosa.

Nenhuma plateia parou para observar.

O rancho ainda cheirava a fumaça e terra revolvida.

Rose olhou para o homem que a encontrara quando toda a sua vida cabia numa bolsa e que, desde então, recusara todas as oportunidades de transformar necessidade em obrigação.

— Eu já escolhi ficar — disse ela.

Elias respirou fundo.

Rose ergueu um dedo antes que ele falasse.

— No Meadowlark. Estou falando do Meadowlark.

Ele quase sorriu.

— Naturalmente.

— Você é irritante.

— Já ouvi isso antes.

Dessa vez Rose não conseguiu evitar o sorriso.

Nos meses seguintes, o que havia sido destruído pelo fogo foi reconstruído aos poucos.

O banco acabou aceitando a oferta de Elias pela faixa de Hartley Pines que ele havia mostrado a Rose, exatamente nas condições que discutiram.

Elias não colocou o nome dela nos documentos como gesto romântico nem fingiu devolver o que legalmente não lhe pertencia.

Fez algo mais simples.

Contratou Rose formalmente para cuidar do plantel usado naquela área e aumentou seu pagamento de acordo com a responsabilidade.

Rose aceitou.

Com o próprio salário, começou a guardar dinheiro.

Não para fugir para Sacramento.

Para ter escolha.

Essa diferença importava.

Clover permaneceu no Meadowlark.

Meses depois, Elias colocou sobre a mesa o antigo recibo do leilão e empurrou-o na direção de Rose.

Ao lado estava outro papel, muito menor.

— O que é isso?

— Uma venda.

Rose leu.

Clover seria transferida de volta para ela pelo mesmo valor pago no leilão: cinquenta dólares.

Rose ergueu os olhos.

— Você realmente vai aceitar meu dinheiro?

— Você disse que trabalharia pelo que recebesse.

— Isso foi há meses.

— Continua sendo verdade.

Rose tentou parecer ofendida.

Falhou.

Pegou a bolsa de couro que ainda guardava desde Barlow Creek.

Os cinquenta dólares do leilão não estavam mais intactos ali; parte havia sido usada, parte poupada e substituída ao longo dos meses pelo dinheiro que ganhara trabalhando.

Ela contou cinquenta dólares e colocou sobre a mesa.

Elias entregou o papel.

Dessa vez, o nome escrito como proprietária era o dela.

Rose ficou olhando para aquilo por um longo momento.

No leilão, o martelo havia encerrado uma parte de sua vida.

Agora um simples pedaço de papel não recuperava o passado, mas devolvia a ela algo que importava mais do que nostalgia.

Responsabilidade.

Escolha.

Clover era sua novamente porque Rose podia comprá-la.

Não porque alguém tivera pena.

Naquela noite, ela levou a égua até o mesmo campo onde trabalhara durante os meses anteriores.

Elias apareceu junto à cerca.

— Vai embora agora que conseguiu o que queria?

Rose passou a mão pelo pescoço de Clover.

— Talvez.

Elias estreitou os olhos.

Ela deixou o silêncio durar apenas o suficiente.

— Talvez não seja uma resposta muito útil — completou.

Ele riu baixo.

Rose se aproximou da cerca.

— Eu não fiquei porque você me reivindicou naquele leilão, Elias.

— Eu sei.

— Não fiquei porque comprou Clover.

— Eu sei.

— Não fiquei porque precisava de um teto.

— Também sei.

Rose apoiou as mãos na madeira.

— Fiquei porque, quando eu não tinha quase nada, você me deu espaço para continuar sendo dona das minhas decisões.

Elias não respondeu com uma promessa impossível.

Não disse que nunca haveria outra perda, outro fogo ou outro dia ruim.

Apenas se aproximou e esperou.

Foi Rose quem diminuiu a distância restante.

Meses antes, ela chegara ao leilão acreditando que vender Clover significava cortar o último vínculo com a vida que conhecia.

Agora compreendia que aquela vida não estava presa a uma casa, a um pedaço de terra ou mesmo a uma égua castanha.

Estava nas coisas que seu pai lhe ensinara, nas escolhas que ela ainda podia fazer e na maneira como decidira construir algo novo sem fingir que o passado nunca existira.

Quando Rose voltou para a casa naquela noite, sua velha bolsa continuava com ela.

Só que já não continha tudo o que possuía no mundo.

Pela primeira vez desde a morte do pai, ela podia deixá-la sobre uma cadeira sem sentir que sua vida inteira estava guardada ali.

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